Coro Mc, pt. 02

[Jonas de Lima (Coro Mc) em ensaio fotográfico pela Bluz Film]

Nessa segunda parte da entrevista à Universitária FM, o produtor, compositor e rapper Coro Mc (que hoje abandonou esse vulgo e vem se apresentando com seu nome próprio, Jonas de Lima) fala sobre como estava com passagem comprada para gravar em Los Angeles mas teve seu visto de entrada negado. O rapper conta sobre a ida ao Recife e seu contato com Diomedes Chinaski e os artistas pernambucanos do Chave Mestra, além das gravações no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, pelo projeto Converse Rubber Tracks.

Também ficamos sabendo mais sobre a invasão de Fortaleza pelas facções criminosas, que acabou influenciando vários raps compostos durante o período de confrontos nas periferias. Coro Mc também traz sua visão sobre a indústria fonográfica como espaço de trabalho para a juventude periférica, e sobre como o mercado brasileiro segrega pobres, negros e indígenas, apropriando-se de suas culturas.

O áudio completo da entrevista está no Mixcloud e no podcast Ceará Sonoro, disponível no Spotify, Deezer, iTunes ou no seu agregador preferido. A entrevista foi gravada no dia 24 de maio de 2019 e transmitida no programa Zumbi de 02 de junho. Se liga no papo!

Thaís Aragão – Teve um fato lamentável nessa história da Converse (Rubber Tracks), que foi: em 2016, era pra você ter ido para Los Angeles (para) gravar, mas você teve seu visto negado pelo Consulado dos Estados Unidos em Recife. Foi o mesmo ano em que o funkeiro MC Bin Laden, que é conhecido pelo “Tá tranquilo, tá favorável”, também teve a ida dele, a entrada barrada nos States. Isso acendeu, na época, toda uma discussão sobre discriminação que os artistas periféricos do Brasil poderiam estar sofrendo nessa porta de entrada do maior mercado fonográfico do mundo. O que você tem a nos dizer sobre essa experiência de ser aceito internacionalmente no campo artístico, mas no campo burocrático, das fronteiras que existem no mundo, acabar sendo barrado?

Jonas (Coro Mc) – É… Eu não diria nem burocrático. Eu diria político. Acho que já tinha uma força internacional se movimentando, no que diz respeito à austeridade mundial. E isso acho que ficou bem claro, principalmente quando aconteceu com Bin Laden. Quando aconteceu comigo, acredito que nem tanto. Apesar de ter sido matéria na (revista eletrônica) Vice, apesar de Geoff [Sanoff] ter falado isso na (revista) Rolling Stone. (risos) Desinteresse total do governo dos Estados Unidos, a gente pode dizer, pelo que me foi dito. Desinteresse total. Não era interessante para eles, para os Estados Unidos. E a justificativa pela qual eles negaram meu visto, aí sim! Foi uma justificativa burocrática. Eles deram uma justificativa burocrática para um sentido político e discriminatório. Para mim, foi uma experiência muito negativa, apesar de que foi bastante positiva a vivência que a gente teve o Diomedes (Chinaski). Para quem não sabe, e para algumas pessoas que eu já vi criticar o Diomedes, inclusive da nossa cidade, sem conhecer, é até bom que a gente fale, para que algumas pessoas tomem uma visão diferenciada.

A gente foi para Recife. Lembro como ontem, tinha poucos recursos. Eu deveria ter, ali, as passagens, que dava um valor de R$ 250 ou R$ 300, para ir e voltar, e mais algum recurso – tipo R$ 150 ou R$ 200. Do mesmo jeito, os outros meninos que foram comigo: Padêro (MC), o Cid, o Valber (Firmino) e o Carlim, que é o (Nego) Gallo. A gente não tinha condições de custear uma pousada ou um hotel, mas a gente tinha conhecimento com Diomedes. Gallo era amigo de Diomedes e acabou falando com ele, dizendo que a gente precisava ir, fazer essa solicitação do visto. Diomedes acabou que disse para gente ir para casa dele. “Ó, cês vêm e ficam aqui na minha casa.”

O que a gente não sabia é que Diomedes tinha pedido à esposa dele para passar uns dias na casa da mãe dela, para que ele recebesse a gente na casa dele. A casa de Diomedes era num bairro chamado Mirueira, Jardim Paulista, que é como se fosse Maracanaú aqui (em Fortaleza), na Região Metropolitana de Recife. E era uma favela subindo o morro, parecido com os morros do Rio de Janeiro. Fomos super bem recebidos, tanto por Diomedes quanto pela galera do Chave Mestra, e pela comunidade deles em Miruera e Jardim Paulista. Andamos por toda a cidade de Recife com Diomedes e, onde a gente chegava, Diomedes era super bem quisto. Ou seja, não estou falando aqui em um lugar específico de Recife. Era em todos os lugares. A gente andou de coletivo e as pessoas viam Diomedes no coletivo e cumprimentavam o Diomedes. A gente chegava no terminal de coletivos, as pessoas viam Diomedes no terminal e cumprimentavam Diomedes. A gente ia para o Centro, as pessoas viam ele e cumprimentavam. Eu já ouvi pessoas dizerem que parece que em Recife ninguém gosta dele. Rapaz! Eu acredito que Recife é gigantesca. E quando você quer tirar uma conclusão dessa, a partir  de meia dúzia de pessoas… Enfim.

A gente foi, e a experiência mais positiva foi a de ter vivenciado alguns dias com aquele cara, que mesmo tão jovem… Ele é bastante jovem, Diomedes. Se não me engano, deve estar com 25 anos. Muito inteligente, muito inteligente. Muito estudado, consciente do que ele era e do que ele queria, já naquela época. E muito obstinado, mesmo. Ele falava com a gente sobre projetos dele, nessa dimensão que conseguiu alcançar.

Cid, Coro Mc e Padêro (em pé, da esq. para a dir.) e Nego Gallo no Recife
[Foto: Valber Firmino]

“Amo meu país, e espero que meu país um dia acorde que o sonho americano é um pesadelo. Não é um sonho. É uma mentira. E vocês estão acreditando em uma mentira, infelizmente.” (Jonas, Coro Mc)

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Quanto à situação do visto, a gente teve duas entrevistas. Na primeira, as pessoas do guichê já se prontificaram em dizer que não. Já alegaram “vínculos”, dizendo que a gente não tinha vínculos. Mas eu levei comprovantes de que a gente tinha trabalho, filhos, família. Enfim, a gente levou coisas que comprovassem que a gente tinha um vínculo, sim, com nosso país. Inclusive a gente levou carta de referência da empresa. A gente levou as passagens de avião, o período de estadia no hotel,  justamente tipificando que a gente estava ali por um período. E não ia ser mais que esse período, até porque a gente não tinha recursos para ficar mais do que esse período. E acaba que eles… Não sei, eu acho que eles têm uma prepotência. Os americanos têm uma prepotência muito exacerbada, de (achar) que todo brasileiro quer ir para lá e ficar lá. O que, de fato, não era meu interesse. Não tinha um pingo – e não tenho hoje, muito menos – interesse em morar nos Estados Unidos. Amo meu país, e espero que meu país um dia acorde que o sonho americano é um pesadelo. Não é um sonho. É uma mentira. E vocês estão acreditando em uma mentira, infelizmente. É um povo altamente… prepotente, mesmo. Acho que é a palavra que define mais. Não vou dizer que isso aí é todo mundo, mas no que diz respeito às pessoas que estão aí nesse âmbito administrativo, de pessoas, são bastante frios e sem nem um pingo de afeto ou afetividade a situações alheias.

Da mesma forma que negaram meu visto, eu vi um moleque lá que ia jogar futebol numa escola. Ele foi chamado por uma escola para ser bolsista e ele ia ser jogador de futebol. Ele tava chorando, lá, porque tinham negado o visto dele também, pelo mesmo motivo. Aí, eu perguntei para o moleque como que era a vida dele, de onde era. E a gente acaba se identificando e se sentindo na mesma posição. Espera aí, meu irmão. Não é “vínculo”. “Vínculo” é a desculpa burocrática que eles estão dando. Mas o que ele querem é recurso. Eles querem saber se você vai para lá gastar cinco pau. Ou eles querem que você vá para lá e saber quanto que vai gerar para o país deles. Pelo que aconteceu na segunda entrevista, em que fui obrigado a esperar em uma salinha, para falar com supervisor do consulado (porque a mulher achou estranho que a gente estava indo duas vezes na semana fazer entrevista)… O que a gente entendeu foi que, pelo que ele me disse, não era lucrativo para os Estados Unidos a minha ida para o Converse Rubber Tracks. Porque, ao entender dele, eu estava indo, ia gravar músicas e aquelas músicas iam ser comercializadas aqui no Brasil. E aí ele não conseguia ver de que maneira aquilo dali ia ser lucrativo para os Estados Unidos.

E acabou que foi por isso que ele negou meu visto. Com as palavras dele! E ele disse assim para mim: “Quem sabe daqui a três anos você tenha vínculo suficiente pata ir”. Inclusive coloquei isso em uma música, “Sem remorso”, em que falo disso, lá na frente, né? “Quem sabe três anos após…” (risos) Enfim. Mas eu fiz uma sátira. De toda forma, foi experiência negativa. Não foi uma experiência positiva. Não sei se, de fato, o que impediu a gente de ir foi essa situação. Eu gosto de acreditar que sim, porque é a única coisa que faz sentido para mim, tendo em vista que a gente apresentou documentos que comprovavam vínculo da gente com nosso país.

Jonas (Coro Mc) nas gravações no estúdio Toca do Bandido, em audiovisual dirigido por David Feldon, pelo CONVERSE Rubber Tracks (clique na imagem para assistir)

Tive a oportunidade de trabalhar com um cara como Geoff [Sanoff], que já ganhou Grammy, de trabalhar em um estúdio que já produziu O Rappa, Maria Rita, como o próprio Caetano Veloso, Gilberto Gil. (Jonas de Lima, Coro Mc)

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Mas, de alguma forma, trouxe algo construtivo. Acabei indo para o Rio de Janeiro. Acabei trabalhando com um produtor americano que me passou uma visão totalmente diferente de outras pessoas, outros americanos que não são… Por isso que eu digo: eu detesto generalismo. Nem todos os americanos são dessa forma. Tem muita gente humana lá, também. Tem muita gente que não apoia a perspectiva que é vigente hoje, perspectiva ideológica. Mas, infelizmente, são americanos. Por isso, eles tentam, de alguma forma, mudar essa perspectiva da gente enquanto a eles. Então, eu sou muito grato à pessoa de Geoff Sanoff, que foi o produtor que trabalhou comigo depois que meu visto foi cancelado. A gente foi para o Rio de Janeiro, no (estúdio) Toca do Bandido.

Acabou sendo uma das experiências mais bacanas que vivi, se não a mais bacana, no âmbito da música, porque tive oportunidade de trabalhar com pessoas super competentes como (o diretor audiovisual) David Feldon, Heros Cegata, Henrique Ligeiro, o pessoal que trabalhou no audiovisual da Vice, Leleco Maestrelli, Ricardo Cohen. Tive a oportunidade de trabalhar com um cara como Geoff, que já produziu Green Day, John Legend, Alicia Keys, que já ganhou Grammy. Tive oportunidade de trabalhar em um estúdio que já produziu tantas pessoas maravilhosas da música brasileira, como O Rappa, Maria Rita, como o próprio Caetano Veloso, Gilberto Gil, e também que foi super premiado. Na prateleira deles, lá, tem cinco Grammys.

Então, são essas coisas que fazem a gente chegar aqui, no âmbito da cultura do nosso estado, e perceber onde a gente chegou, com quem a gente trabalhou. E por que a gente não está inserido dentro disso? São esses questionamentos que a gente acaba trazendo como chave. Acaba sendo chato falar isso para o povo, porque parece que a gente tá querendo se crescer. Quer dizer, uma vez tava falando isso com a minha mulher. Tipo: sempre vai ter uma justificativa para excluir a pessoa que não vem de uma situação mais favorável financeiramente. Por exemplo, quando a gente não tem estudo e a gente está procurando emprego, as pessoas dizem que a gente precisa colocar nosso currículo a nossa escolaridade.

Doutor do ABC na Escola Antonio Mendes [Foto: Arquivo pessoal]

“Eu já fui aconselhado inclusive por pessoas do SINE (Sistema Nacional de Emprego) a tirar do meu currículo que faço uma faculdade. (Jonas de Lima, Coro Mc)

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Antes eu não tinha ensino médio completo e não o cursava nível superior. Diziam para mim que eu precisava disso no meu currículo, para poder galgar melhores vagas no mercado de trabalho. Aí, de repente eu consigo meu certificado do ensino médio, passo no ENEM, consigo uma vaga na universidade, estou estudando e tiro boas notas. Aí, coloco isso no meu currículo. Quando coloco isso no meu currículo para concorrer no mercado de trabalho, e as pessoas vendo de onde a gente vem… Eu já fui aconselhado inclusive por pessoas do SINE (Sistema Nacional de Emprego) que eu deveria tirar do meu currículo que faço uma faculdade.

Nossa!

É triste. Porque é como se, para a minha origem, eu não posso pegar outros espaços no mercado de trabalho. É como se delimitassem um nível hierárquico de posições de trabalho, que eu devo alcançar. Mas eu só posso alcançar se não disser que quero estudar além daquilo. Porque se eu estiver dizendo que estou estudando além daquilo, gera um medo naquelas pessoas, de me contratarem e mais na frente terem que me pagar um pouco mais. Isso daí acontece também no âmbito da cultura. Quando você pega situações dessas, da qual você participou, e aí não pode falar que participou porque, se você falar, você está se achando mais que os outros.

Você estava falando aí do Recife. Você gravou junto com Gallo, tiveram uma participação naquela música “Coração no gelo”, com o Chave Mestra. Isso foi nessa visita?

Não, não. Nessa visita, a gente gravou com eles também. Gravou um som que chama  “Quintal”, que está no YouTube disponível. E aí a gente gravou com Diomedes, Louco do Texas, Moral, Gallo, Cid, Padêro… Sagaz (das Atalaias) não lembro se gravou, mas teve um outro rapaz de lá, que é amigo da gente, que gravou também um som com a gente.

Como Coro Mc, o rapper lançou solo o EP “Vem desse naipe”, em 2016,
e “Mixtape 1.2”, em 2019 [Foto: Igor Kastor]

Muitas participações.

Nesse som, “Quintal”, são muitas participações. E aí a gente já tinha essa… Criou uma amizade, mesmo. A gente criou um vínculo de amizade. Porque, depois do acontecido em Recife, a gente não deixou os laços e de se comunicar com as pessoas de Recife. Quando o Chave Mestra foi lançar o EP Coração no gelo, eles tinham convidado Gallo para participar daquele som. Eu estava gravando o Gallo na minha casa. Tinha um pedaço da música, que Diomedes rima, aí Louco do Texas rima, e tinha um pedaço da música, de oito barras, que tava limpo até o refrão. Já tinha gravado a parte do Gallo, aí a gente mandou de volta para o Diomedes. Aí Diomedes mandou dizer: “Mano, manda o Coro rimar nessa parada aí, cara. Coro é pra rimar aí”, e tal. Aí peguei e fiz minha rima. Acabei participando, mas foi depois. Foi no outro ano.

Foi muito bacana, porque esse EP do Chave Mestra foi o que, de alguma forma, trouxe um olhar da Vice para o trabalho do Nordeste, mais ampliado. Até então, a Vice tinha trazido um reconhecimento do trabalho de Don (L), para o trabalho de Gallo e para algumas coisas que eu tinha realizado. Tinha, de alguma forma, algum interesse de Diomedes em que a Vice fosse um portal que apresentasse também os trabalhos dele, porque acaba a gente se identificando e se alinhando com alguns pensamentos. Foi bacana porque, daí para frente, acredito que foi a guinada que Diomedes precisou para ir, com todos os méritos dele, para poder chegar onde ele chegou hoje. Depois disso, veio “Sulicídio”. E o homem só cresceu, daí para frente. Sou feliz demais. Sempre que vejo ele, eu nem gosto de ficar tirando casquinha, sabe? Tipo naquela tietagem e tal, “vem tirando foto comigo” e pá. Porque a gente, tipo, convive, né, cara? A gente tá ali. São coisas que, acredito, a gente não tem que ficar meio que obrigados a estar mostrando para os outros.

Diomedes Chinaski participou do Conexão Dragão do Mar, encontro de gerações do rap cearense em São Paulo, com Don L, Doiston, Carlos Gallo e Coro MC, em 2018

“Cara muito iluminado. Aprendo muito com ele. Apesar de (Diomedes) ser mais novo do que eu, foi um cara que se empenhou nos estudos. Ele teve essa visão bem mais rápido do que eu. Não sei se pelo lugar, ou pela geografia.” (Jonas de Lima, Coro Mc)

É a mesma relação que eu tenho com Don (L), por exemplo. A gente já participou de muitas coisas juntos. E, pô, a gente tá no show juntos, tem uma ruma de fotógrafo ali embaixo, tirando fotos minhas com o cara. Para que eu vou ficar tietando o cara, ali? “Vem tirar uma foto aqui comigo”, e pá, sabe? Enfim… mas fico feliz demais, cara. Sou muito grato ao destino por ter tido a oportunidade de conhecer Diomedes. Cara muito iluminado, pivete que tem muita coisa para mostrar. E eu aprendo muito com ele porque, apesar de ele ser mais novo do que eu, foi um cara que se empenhou nos estudos mais do que eu, e mais jovem do que eu. Ele teve essa visão bem mais rápido do que eu. Não sei se pelo lugar, ou pela geografia. Você tem Recife. É uma cidade que respira muito mais cultura e muito mais arte do que Fortaleza. Só de andar na cidade, você sabe que são pessoas que têm uma perspectiva diferenciada no que diz respeito a cultura e arte. Em Recife, as pessoas têm uma afinidade bem maior com isso. Enfim, sou feliz demais por ele fazer, de alguma forma, parte da minha vida. Sou grato. 

Em “Insólita sensação” – que você gravou lá no (estúdio) Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, e que faz parte do EP Vem desse naipe, que é de 2016, do mesmo ano – você fala do que sente “tendo visto o que viu e vivido o que viveu”. Já que a gente está falando de Fortaleza, isso tem a ver também com aquelas rimas de “Desse lado”, em que você fala que “o jogo é embaçado desse lado de Fortal”? O que é isso? De onde você vem? E como conectar isso com essa discussão sobre a cultura, por exemplo?

É difícil porque, na verdade, a gente queria já ter parado de cantar isso. Em 2006, a gente estava saindo da situação de uso de drogas. E aí, quando a gente diz uso de drogas, é em todos os sentidos. Eu e Padêro somos sobreviventes do uso de vários entorpecentes, do vício de vários entorpecentes. A gente teve uma experiência super negativa com uso de crack e sabe da dificuldade das pessoas que vêm de um lugar onde está todo mundo propenso a cair nisso. Quando a gente for fazer o segundo disco para RDF, já tinha se libertado disso. A gente não era mais usuário de nenhum tipo de droga. A não ser o Padêro que tomava alguma coisa, uma cerveja e pá. Eu também tomava um vinho ali e acolá. A gente queria dar outra perspectiva. Inclusive, fez um disco inteiro sem falar disso. A gente falou muito de vencer. De vencer isso. E, na verdade, quando a gente foi para Recife e depois eu fui para o Rio, as pessoas de São Paulo e do Rio de Janeiro tinham me alertado de que havia rumores, nas cidades, de que as facções de lá estariam invadindo aqui. Isso, em 2015. E a gente já sabia que, de alguma forma, já estava instalado. Só não estava decretado, ainda.

Quando aconteceu o boom das facções, a gente tentou avisar as pessoas que eram amigos da gente, que de alguma forma estavam ali envolvidos com a criminalidade nos bairros. E, aí, isso é difícil. Porque a gente acaba que conhece genteem todos os lugares da cidade, em todos os bairros, e ficou uma coisa meio assim, meio dividida. Mas a gente não podia se dividir. Então a gente falou a mesma coisa para todo mundo. “Mano, não vai. Seja qual for a bandeira, não levanta.” Mas parece que não botaram muita fé. Acharam… Inclusive teve gente que achava que a gente estava ficando doido. Mas, quando veio… Teve uma família que alguns parentes me disseram: “O Joninhas tá ficando é doido”. E uma família dessas perdeu cinco parentes, nessa de que eu estava ficando doido. Perdeu cinco parentes.

Jonas (Coro Mc) e Don L, no show de lançamento de Veterano, de Nego Gallo, no SESC Pompeia, em 2019 [Foto: Rodilei Silva Morais]

“Tem um monte aí, hoje, dizendo que ficou rico traficando. A gente se propôs a quebrar essa perspectiva do rap, que estava se crescendo. Fortaleza e grande parte do rap do Nordeste têm esse compromisso com a verdade: a verdade dos fatos, da rua, e da vida na rua.” (Jonas de Lima, Coro Mc)

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“Desse lado”. Eu escrevi aquele som no meio dessa onda aí, de morte. E eu tinha visto vários rappers nacionais cantando sobre matar um cara e levar no porta-mala, e  desovar num canto, sabe? E tal, e dar tiro em não sei o quê. E quando eu olhava para o cara branco, não sofrido, sabe? Bem nascido. Quando eu olhava para a origem dele, eu pensava: esse cara nunca vi um brother dele baleado na vida, mano. Esse cara nunca nem teve noção do que é isso. E tá aí, falando, como se fosse a coisa mais massa do mundo. Como se ele fosse o bichão na favela, e pá. Ele nunca nem desceu na favela. Iguais a esse cara, tem um monte aí, hoje, dizendo que ficou rico traficando. Então… A gente se propôs a quebrar essa perspectiva do rap, que estava se crescendo. E como que a gente quebrava? Só mostrando a verdade, de verdade. Acho que Fortaleza e grande parte do rap do Nordeste têm esse compromisso com a verdade. E aí, quando a gente fala “a verdade”, a verdade não é uma verdade absoluta. É a verdade dos fatos, da rua, e da vida na rua.

“Insólita sensação”, “Desse lado”, aquelas músicas da Mixtape 1.2, todas elas eu escrevi em situações de muita densidade psicológica. No meio de violência, no meio de morte, no meio de… Inclusive a mixtape do Gallo (Veterano), também. De dentro de todo um contexto de violência que a gente estava inserido. Mas a gente queria dar um direcionamento, sabe? Tipo, a gente não poderia chegar e fazer um som dando uma porrada na facção. Mas a gente pode dar uma porrada no sistema que, de alguma forma, determina como que vai ser os sistemas nas facções. Então, se você dá uma porrada no sistema e o moleque entende que ele não está sendo só um membro de uma facção, mas ele está sendo um membro de uma coisa maior, e essa coisa maior não engloba ele como participante disso, ou como participante do lucro desse sistema, mas sim só apenas como participante “mão de obra”, né? E aí, a maior ideia desse sons que a gente fez foi isso. Foi, de alguma forma, dar uma luz.

No “Insólita sensação”, nem foi tanto isso. O que eu quis mais passar ali, naquele som, foi sobre o quanto é difícil mesmo, para uma pessoa que vem da periferia e vai se propor a fazer rap. Eu não quis mostrar para galera uma posição onde eu estava ali me colocando como super abençoado, como super iluminado e tal, sabe? Muito pelo contrário. O que eu quis era criar uma perspectiva onde outras pessoas pudessem enxergar aquela dificuldade, de não ser fácil… “Não posso dizer que é fácil, vindo de onde eu vim, vendo que eu vi, vivendo que eu vivi.” Mas… vamos lá! Vou me sentir iluminado e abençoado por Ele. Por isso que eu digo assim: “Mas Ele olhou para mim e disse: ‘É esse aqui’”. Mas quando eu digo “É esse aqui”, não é para ser só eu, saca? Era para ser quem se identificasse com a música. Tipo, quem estivesse nessa luta também. E quando a gente fala dessa luta, é muito egoísmo falar que é só a luta do rap. Por que seria só a luta do rap? Por que uma pessoa que quer ser jogador de futebol não pode fazer essa analogia, da perspectiva da luta do rap para perspectiva da luta dele, no futebol? Ou então para o moleque que quer ser skatista? Por que ele não poder pegar essa perspectiva da dificuldade da luta do hip hop para a luta do skate? Ou, também, por que não pode ser para o moleque quer ser advogado ou médico, ou qualquer outra coisa na vida, entende?

Recentemente, Jonas deixou seu vulgo Coro Mc e passou a se apresentar pelo nome próprio [Foto: Rodilei Silva Morais]

“Quem não sofre da violência não quer fazer essas reflexões. Não querem, nem a pau, se colocar no lugar onde precisam entender o sofrimento de outra pessoa.” (Jonas de Lima, Coro Mc)

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Às vezes também tem um preconceito muito grande do ouvinte quando escuta e apenas sintetiza o rap, ali. Não faz um pensamento mais eclético, mais expansivo. E aí, quando a gente consegue se desprender de um pensamento muito exclusivista, você consegue fazer “n” insights ali, que leva a percepção do som para outros lugares. A ideia inicial era essa: trazer reflexões que fizessem essas pessoas raciocinarem, refletirem mesmo. Não só escutar um som a esmo. Porque quando você escuta uma música comercial, você quer uma música comercial. Você não repara, você… É uma coisa que a gente não queria. (A gente queria) quebrar essa parada do senso comum, e ser uma música onde as pessoas sintam o choque de não ser o senso comum, e reflitam. Aí é uma perspectiva mais difícil, porque nem todo mundo quer fazer essas reflexões. Principalmente, quem não sofre. Quem não sofre da violência não quer fazer essas reflexões. Elas não querem , nem a pau, se colocar no lugar onde precisam entender o sofrimento de uma outra pessoa. Aí, sim, é egoísmo. Muito egoísmo, inclusive. Porque é como se enxergasse o mundo assim: “para mim tá bom e o resto que se exploda”. É difícil, mas a gente segue.

O que você, que também está encarando desafios para seguir com a sua trajetória, tem a dizer para jovens que de repente queiram seguir junto com o rap e o hip hop?

O que eu posso mais enfatizar, nesse ponto de vista, é que, na verdade, a gente precisa se desiludir da perspectiva de vitória que é apresentado no hip hop – e, aí, a gente pode dizer inclusive mundial, certo? No âmbito dos Estados Unidos, você sabe que é um mercado fonográfico multimilionário, onde as organizações realmente têm o interesse de fazer com que pessoas que vêm de situação de risco ascendam  socialmente. É muito possível, nos Estados Unidos, você ser o cara da favela hoje e, se você fizer uma música boa amanhã, uma gravadora fazer um contrato com você e você pode ficar literalmente milionário. Isso é muito real, nos Estados Unidos. Mas, no Brasil, isso não é realidade.

Em 2019, Jonas (Coro Mc) vem trabalhando em parceria com artistas cearenses como Manicômio Beat, Ari En (El Arish), David (dssRua) e Edgar Marques [Foto: Payaso]

“É muito possível, nos Estados Unidos, você ser o cara da favela hoje e, se você fizer uma música boa amanhã, ficar literalmente milionário. Mas, no Brasil, isso não é realidade. (O mercado fonográfico brasileiro) é segregador.” (Jonas de Lima, Coro Mc)

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Então, a primeira coisa que eu digo é que tem muita coisa, no Brasil, que está sendo dita e que é mentira, mano. Literalmente! Tem muita gente dizendo que ficou rico fazendo rap e que não está rico, de verdade. Quando você vai lá, você vê. Os caras estão andando de Uber. O que fazem é o seguinte… E não fazem só no rap! Eu acredito que isso é uma jogada muito pilantra do mercado fonográfico brasileiro. Acaba sendo pilantra tanto com o público quanto com os artistas. Tem uma coisa que uma professora minha do Secretariado fala muito, que falou em uma palestra que tive oportunidade de assistir, é que a gente está vivendo a era do “pós-verdade”.

Para quem não sabe o que é o “pós-verdade”, é exatamente isso que estão implementando no nosso país, hoje. Uma mentira, depois que é propagada bastante, ela acaba se tornando uma realidade, mesmo que não (seja) de fato. Mas ela acaba se tornando uma realidade social. E isso é difícil. Às vezes, quando uma realidade se torna uma realidade social, mas ela não se torna uma realidade de fato, isso causa um conflito psicológico muito grande nas pessoas. E quando a gente fala nas pessoas, não é só nas pessoas que querem ser MC ou querem ser rappers. É em todo público.

“Quando acabou o videoclipe, a empresa que trouxe os carros levou os carros. A empresa que trouxe os cordões levou os cordões. A empresa que trouxe as modelos levou as modelos. E o cara voltou de Uber para favela.” (Jonas de Lima, Coro Mc)

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Você está dizendo para não ser MC?

Não, não estou dizendo. Estou dizendo para a gente entender a vida como ela é, de verdade. E não acreditar em um videoclipe, onde tem uma empresa de concessionária de carros que forneceu cinco carros para o clipe. E tem uma joalheria que forneceu dez cordões. E tem uma agência de modelos que forneceu vinte modelos. E o cara está ali, dizendo que ficou rico vendendo droga. Mas quando acabou o clipe, a empresa que trouxe os carros levou os carros. A empresa que trouxe os cordões levou os cordões. A empresa que trouxe as modelos levou as modelos. E o cara voltou de Uber para favela. O que eu estou dizendo é isso.

Que não entre no hip-hop…

..achando que é assim. E você pode até fazer. É gestão de pessoas, o nome disso, né, mano? É feio (risos), é feio. Mercadologicamente, querem que a gente aprenda que não é feio, que a gente deve fazer, porque é o mercado, né? E vende. Então a gente tem que fazer também, tem que aplicar. Mas aplicar ciente. Aplicar ciente de que muito do que está sendo dito não é verdade. Aplicar ciente de que muito do que está sendo dito é puro status mercadológico mesmo. E não entrar nessa achando que você vai ficar rico amanhã, brother! Porque, velho, tem gente que está nessa há vinte e cinco anos, trinta (anos), mano. E não está nesse patamar de riqueza que é proposto aí, nas imagens. É entender qual é a dimensão da realidade e qual é a dimensão do trabalho artístico. Um trabalho artístico é o trabalho artístico. A realidade é outra fita. Então, o que eu digo é isso: pé no chão, jogar o jogo sinceridade. E se você tiver parcerias para fazer o seu trabalho ser visualmente apresentado dessa maneira, faça! Faça, mas faça sendo sincero. Faça, não sendo um fake rapper.

O que faz com que a pessoa fique 25 anos no rap? Por que vale a pena, então, ficar tanto tempo?

Cara, porque o hip hop… Existe uma grande diferença entre as pessoas que vão para o rap. Existem as pessoas que estão indo para o rap pelo frevo de ser uma música muito ouvida no mundo. E, aí, se cria uma perspectiva de que: “Poxa, eu posso ficar milionário com isso, daqui a um ano”.

O rap passou o rock (como gênero mais ouvido no mundo), né? Antes o rock era o querido, e agora é o hip hop.

Isso, agora é o rap. Inclusive Don L fala disso numa música. Ele diz uma ideia dessa, que agora toda “bandinha de reggae é o rap”. Foi o que aconteceu no Brasil, por exemplo, que de dez anos para cá você viu um boom daquele rock emocore. E aí toda essa classe média, classe média alta, estava montando suas bandinhas de rock e dominando o espaço do cenário musical nacional. Aquilo dali eles vendem, vendem, vendem. Até que, em um momento, chega a se tornar enjoativo mesmo, chato para c******. E aquilo é descartado do mercado. Aí vem uma outra (onda), e quando você vai ver são as mesmas galerinhas, da mesma classe, dominando uma cultura que não era deles. Ou seja, eles têm dinheiro, eles têm investimento. Então pegam aquela cultura, colocam a m**** que eles querem ali para falar, e vão vender o que eles querem ali, até estragar aquele estilo. E, aí, (vão) substituir por outro. É essa perspectiva mercadológica que eu acho nojenta. Ela é ridícula!

É a gentrificação dos gêneros musicais, das culturas musicais.

Não é numa perspectiva racista, mas numa perspectiva de divisão social, mesmo, que existe e que a gente não pode ser hipócrita e negar. O branco, ele tem um grande interesse em desvirtuar tudo que é positivo criado pela cultura negra, ou por uma cultura que não é deles, seja indígena ou seja uma cultura negra como o hip hop. Existe um grande interesse nisso. Principalmente, depois que aquela cultura se torna alguma coisa que tem um olhar diferenciado, ou mais olhares direcionados para ela.

“Eles desvirtuam todas as bases que foram criadas para uma perspectiva positiva desse ritmo. Fazem o mesmo processo que fizeram com rock, com o reggae. Estão fazendo agora com o hip hop.” (Jonas de Lima, Coro Mc)

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E é o que está acontecendo no rap, hoje, no Brasil. Uma cultura que era exclusivamente de pessoas que vêm da periferia, de pretos e pobres, acabou sendo dominada e tomada por brancos de classe média e classe média alta, que se colocam hoje como proprietários do estilo musical. Eles desvirtuam todas as bases que foram criadas para uma perspectiva positiva desse ritmo, e acabam que fazem o mesmo processo que eles fizeram com rock, que eles fizeram com o reggae, e que eles estão fazendo agora com o hip hop. Estão transformando o hip hop ou rap numa música altamente vendável, mas ao mesmo tempo fútil, que não constrói nada, que é literalmente uma coisa que vai passar.

Eu não vejo outra coisa a não ser o interesse, mesmo, do grande mercado. E aí a gente não vai falar dos artistas. A gente vai falar de quem está interessado em investir nisso, mas de uma forma negativa. De uma forma negativa em que sentido? Só numa perspectiva de exploração. “Vamos explorar isso daqui até onde a gente pode.” Chegar nos níveis mais absurdos de se estragar um ritmo. É o que eu vejo hoje, por exemplo.

Jonas (Coro Mc) também é vocalista na banda Margem Now [Foto: Pedro Viana]

“Talvez esse espaço ali, no mercado de trabalho, fosse a única saída para um bocado de jovem que vem da periferia. Agora, esses espaços estão sendo tomados quem não necessitava. E acabam dominando por ego!” (Jonas de Lima, Coro Mc)

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Até se a gente for pegar uma perspectiva mercadológica de trabalho, a gente vê uma injustiça muito grande, quando a gente vai falar do rap e do funk. Por quê? A maioria dessas pessoas que estão dominando o mercado, hoje, são pessoas que nasceram em boas famílias, que nasceram em uma condição social onde essas pessoas poderiam ser o que elas quisessem da vida delas. Elas poderiam ser médicos, elas poderiam ser advogados, elas poderiam ser muitas coisas. Poderiam ser jornalistas, poderiam ser “n” fitas. Mas escolheram tomar o espaço no mercado de trabalho de pessoas que vinham exclusivamente da favela. Ou seja, talvez esse espaço ali no mercado de trabalho fosse a única saída para um bocado de jovem que vem da periferia poder conseguir ascender socialmente, ou poder ter dignidade da vida. Aí, agora, esses espaços estão sendo tomados por pessoas que literalmente não necessitavam, financeiramente, daquele espaço. E eles acabam dominando esse espaço por ego! Pura e simplesmente, por ego.

Isso é a grande diferença do mercado fonográfico brasileiro para o mercado fonográfico americano. Nos Estados Unidos, tem-se a perspectiva de lucro. Com certeza! Você tem a perspectiva do cara que quer fazer uma música vendável. E isso é altamente aceitável. Quando a gente vai falar de mercado, é altamente aceitável. Mas a grande diferença é que as organizações que fazem parte da indústria fonográfica americana de fato proporcionam melhorias de vida para pessoas que vêm de baixo. E não é a realidade do mercado fonográfico brasileiro. Não é. É muito pelo contrário. Ele é segregador.

Um artista que vem da periferia tem “n” dificuldades para poder conseguir realizar o trabalho dele, para poder botar na rua. Ele tem uma competição totalmente injusta, quando vai-se comparar com esses artistas que têm essa condição. Porque eles estão inseridos dentro desse mercado, tá entendendo? Essas pessoas poderiam estar só realizando isso. Ou seja, ir contratando as pessoas que vêm da favela. Mas, não. Eles querem realizar, e querem fazer também. Então eles segregam, literalmente, as pessoas que deveriam por direito estar ali, acessando aqueles recursos.

A conversa foi muito boa, Coro. Infelizmente, não vai dar para falar do Margem Now, que é a sua banda de rock nova, o novo projeto, né?

Mas a gente vem outro dia aqui, pra falar. Traz a galera, também.

A gente deixa o papo para outro dia, mas acompanhem, porque o Coro tem um projeto novo chamado Margem Now, com banda. Guitarra, baixo, bateria e ele no microfone, fazendo esse cruzamento do rap com o rock, outra vez!

No Margem Now, a gente mescla o rock com um pouco de blues, jazz, soul. Às vezes também tem uma pegadinha de funk, reggae. É um som bem misto. A gente tentou abrasileirar o máximo possível. Tem umas manchinhas, uns frevinhos, sabe? É bem bacana. Sugiro que vocês procurem aí no Instagram.

Exatamente. E já teve ensaio aberto no Centro Cultural Belchior, então vai ter coisas esse ano com o Margem Now, não é isso?

Tomara. Estamos nessa perspectiva, aí. Valeu!

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Leia a Pt.1 e escute a entrevista na íntegra:

One reply to “Coro Mc, pt. 02

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