RAPadura Xique-Chico, pt. 01

Esta é a primeira de duas partes de mais uma entrevista transmitida no programa Zumbi – O Rap na Universitária FM. O áudio completo está disponível para ouvir no final do texto, e também pode ser escutado diretamente na plataforma Mixcloud. A entrevista com RAPadura Xique-Chico foi gravada no dia 24 de outubro de 2019 e transmitida no programa de 03 de novembro. Vambora!

Thaís Aragão — Estamos aqui recebendo nos estúdios da Universitária FM, em Fortaleza, Francisco Igor Almeida dos Santos, mais conhecido por vocês e pelo Brasil como RAPadura Xique-Chico. Tudo bem?

RAPadura — Opa, boa tarde pra todo mundo aí, que tá ouvindo. Maravilha!

Um dos melhores speed flows que já se ouviu e que saiu daqui do Ceará, como já rimou Rashid. Obrigada pela participação no Zumbi, RAPadura. Vinte anos no rap em 2019?

21 anos, agora.

Conta então como começou. Faz muito tempo, né?

A minha família migrou para o Distrito Federal no final de 97. De 97 para 98.

Vocês eram daqui de Fortaleza, não é isso?

Isso. Sou nascido e criado aqui. Sou cearense, e fui para lá [quando] ia fazer meus 14 anos. Lá, conheci o hip hop através do break, da dança. Sempre tive muita facilidade com a dança. Quando era criança, eu dançava lambada, dançava forró. Ganhava torneios, concurso de dança, dançando com a minha prima. E sempre fui muito ligado à música. Sempre cantei com meu pai. Ele tinha uma dupla: era ele e o amigo dele. E eu sempre acompanhava, sempre cantava com eles. Lá, conheci o hip hop através do break, e me apaixonei pela linguagem do rap, pela forma de manifestação, de indignação, de expressar os seus sentimentos, sejam eles de alegria, ou de tristeza, ou de revolta. Vi que tinha muito a ver comigo. Mas, o mais interessante é que comecei a fazer sabendo fazer, entendeu? Tipo: é como se eu já soubesse fazer aquilo. Com 13 anos, ganhei meu primeiro concurso de rap. Era a única criança que rimava, lá.

E você já ouvia rap nessa época?

Ouvia. A minha primeira referência foi Câmbio Negro, que é a primeira banda de rap do Brasil. O [rapper] X, lá da Ceilândia [distrito no Distrito Federal]. Depois, eu ouvi GOG. Também muito Thaíde e DJ Hum, aquele disco Preste Atenção, que é um disco que eu gosto muito. Aí, não parei mais. Me dediquei só à escrita, mesmo. Mas, naquela época, você não só cantava, ou só dançava. A gente dançava, cantava, grafitava e fazia tudo. O termo b-boy, que hoje é usado só pra quem dança, antigamente era para quem dominava os quatro elementos. Muita gente não sabe disso.

“A gente dançava, cantava, grafitava e fazia tudo. O termo b-boy, que hoje é usado só pra quem dança, antigamente era pra quem dominava os quatro elementos.”

RAPadura Xique-Chico

Isso tudo você viveu lá em…

Planaltina, no DF, que era um bairro bem violento, também.

E como era a questão da violência, ali nos anos 90? Não sei se você era muito pequeno para sentir…

Quando saí daqui, já tinha a coisa dos bailes funks, que era o rap Brasil, na época. A gente não tinha acesso a rap. Eu nem sabia o que era rap, nessa época. Aí, conheci o funk, né? Meu irmão ia muito para os bailes e a gente ouvia muito em fita cassete, e tal. 

Aqui [em Fortaleza], ou lá?

Aqui. Quando fui para lá, tive contato com o hip hop: com o break, com grafite, com o rap, de fato. Saí de um lugar violento, porque sou nascido e criado ali, na Sapiranga. Era Lagoa Seca, nem existia Sapiranga ainda. Era Lagoa Seca,  Conjunto Alvorada, Alecrim, Flor do Mato. E mudei para outro bairro muito violento, que era Planaltina. Passava no Jornal Nacional direto, como um dos lugares mais violentos do Brasil.

A única saída que a gente tinha era realmente a cultura, ou a arte. Ou o crime. Meu irmão era envolvido com essas paradas, e também muitos amigos que tive, lá na escola. Os meninos guardavam arma no teto, essas coisas. Só que o meu negócio era com a música. Eu gostava de rimar, de fazer um improviso. Andava no meio de todo mundo. E, para você ouvir rap, de fato, você tinha que ir na casa dessa galera, porque eram eles que ouviam rap. Não tinha essa coisa de hoje, que o rap explodiu e todo mundo ouve, todo mundo gosta. Se você fosse um MC e fosse querer namorar com a filha de alguém, ninguém queria deixar você [namorar com ela]. “Não, esse cara é bandido, é não-sei-o-quê.”

Hoje em dia, não. Hoje em dia, graças a Deus, a gente está conquistando nossos espaços. Em todos os lugares aonde você vai, tem rap. E a gente adquiriu nosso respeito através do trabalho. Essa cultura me salvou e salvou muita gente de onde eu morava. Graças a Deus, nunca me envolvi com crime, nem com nada. Mas quando a gente está na periferia, a gente se envolve com todos e o respeito é para todos, para tudo na vida. Então, graças a Deus, desenvolvi esse trabalho lá. Pude ter contato com a galera mais antiga do rap, como o GOG, o X, a galera do Álibi, [o rapper] Kabala, Cirurgia Moral,que são referências para mim.

E, também, com a galera mais nova. Hoje, desenvolvo projetos sociais onde a gente procura incluir todo mundo e potencializar esses talentos. Vim aqui para o Ceará, inclusive, para desenvolver esse projeto aqui. Desenvolvi esse projeto em Brasília, chamado Safra Ouro. São sessenta MCs dentro de um mesmo projeto: um disco, que eu produzi. Convidei a galera, levei para o estúdio e gravei todo mundo. Vamos lançar agora em novembro. Agora, vou fazer esse projeto na minha terra, aqui no Ceará. Brasília é minha contrapartida, por tudo que ela me deu e por como ela me recebeu, pelo hip hop que eu conheci lá. Aqui no Ceará, que é minha terra, minha raiz, eu me sinto na obrigação e responsabilidade de fazer alguma coisa, pelas pessoas daqui também.

(Foto: Fernanda Iara Vater/Divulgação)

“Desenvolvi, busquei, fui em sebo, comprei vinil, cordel. Fui conhecer os mestres da sanfona, do repente, e tentar me aprofundar na minha raiz, pra ter propriedade de fazer isso.”

RAPadura Xique-Chico

Que maravilha, cara. Você foi tão jovem para o Distrito Federal, e sempre que a gente escuta de você na imprensa, outros rappers falando de você, eles falam “Ah, ele é do Ceará”. É bem interessante como, mesmo com essa mudança de lugar, você mantém isso.

Isso, na verdade, é o mais difícil. Porque o que acontece muito é que tem toda aquela pressão da sociedade, do preconceito, da mídia, de tudo que ela impõe: que você tem que ser assim ou assado, que seu nome é feio, que você é inferior por causa da terra de onde veio. É uma coisa que tem bastante. Nunca esqueci disso. Meu pai sempre ouvia vinil. Nunca minha família deixou que eu esquecesse isso. A gente, aqui e ali, percebe que às vezes está se perdendo. Aí… opa! Tem que voltar aqui na origem de novo. Não posso me esquecer. Tem que estar sempre vigiando.

Desenvolvi, busquei, fui em sebo, comprei vinil, comprei cordel. Fui conhecer os mestres da sanfona, os mestres do repente, e tentar realmente me aprofundar na minha raiz, para ter  propriedade de falar sobre isso, de fazer isso. Se não, é como a galera faz hoje em dia. O cara vai lá no Norte, um exemplo, pega o carimbó. Bota lá, mistura com alguma coisa, e fala: “Eu botei carimbó na música, tem carimbó”. O cara não sabe nem o que é carimbó. Não pediu permissão dos mestres, não conversou com ninguém, não teve o mínimo de respeito. E o mais importante: as pessoas não citam de onde elas tiraram, de onde elas usaram, quem é que começou.

É uma coisa que sempre falo: gente, ouçam Marinês, ouçam Jackson do Pandeiro. Isso aqui é um sample de tal música do Luiz Gonzaga. A música do Luiz Gonzaga que usei em “Amor Popular” muita gente do forró não conhecia. É “Eu e meu fole”, que é uma música que não saiu em um disco. Saiu em uma coletânea, um vinil muito antigo. Marinês muita gente não ouvia em casa de forró, nem dançava. Depois que eu lancei “Maracatu de cá pra lá”, todo mundo foi conhecer Marinês, e tocar, de fato. Hoje em dia, graças a Deus, esses artistas têm um reconhecimento que eles merecem. Infelizmente, não estão mais aqui para contemplar. Muitos artistas, como até o Paulo Sérgio, um grande cantor de brega que ouvi na minha infância toda. Na época, a gente tinha ele como mais que Roberto Carlos. É um dos nossos.

É muito importante valorizar as nossas raízes, valorizar os nossos artistas, pagar o ingresso do show do artista local, aplaudir, gritar para o [artista] local. Não ficar a vida toda lambendo os pés de gente de fora, minha gente! Presta atenção. A gente tem que ser protagonista da nossa história. Não podemos ficar a vida toda à mercê da sombra dos outros. O cearense é muito talentoso. O nordestino é muito talentoso. Pra mim, o Nordeste é maior berço cultural do mundo. De cultura, não tem pra ninguém.

Russo Passapusso (BaianaSystem) e RAPadura gravando “Olho de boi” (Foto: Cartaxo)

“É importante valorizar as nossas raízes, pagar o ingresso do show do artista local. Não podemos ficar a vida toda à sombra dos outros. O Nordeste é maior berço cultural do mundo.”

RAPadura Xique-Chico

Você já pegou umas dicas com o mestre Bule Bule, lá da Bahia. Esse está conosco, ainda.

Esse deve ser muito mais valorizado ainda. Ele foi um dos meus professores. Tive alguns professores, e ele foi um professor muito importante, alguém que me recebeu. Morei cinco anos em Salvador, na Bahia. Tive contato com o movimento de lá, cheguei a produzir beats pra alguns grupos de lá. Nos shows, eu sempre fui presente. Sempre paguei o meu ingresso, sempre comprei CD da galera, sempre fui envolvido no meio, mesmo.

E conheci o Bule Bule em uma matéria que a gente fez lá em Salvador. Foi uma interação, uma conexão muito forte de amizade que se criou. No aniversário dele, eu tava lá, com a família dele. Ele é um homem assim… Não tinha muita gente, porque ele é uma pessoa de poucas… Pessoas verdadeiras, né? A gente, na nossa vida, conhece muita gente. Mas, próximo mesmo, a gente tem poucos. E eu me senti privilegiado de ser convidado para estar no aniversário dele. Conheço a família dele, as filhas, e tudo. Tenho um contato muito especial.

Na música que eu lancei agora com BaianaSystem, “Olho de boi”, eu cito ele. É um dos poucos repentistas negros, é importante falar isso. Fiquei maravilhado quando ouvi. Foi o primeiro repentista negro que ouvi, de fato. A gente tem muitos ligados aos indígenas, com traços indígenas, mas negro, negro, foi o primeiro que conheci. Bule Bule, grande mestre.

“O hip hop vem da década de 70, e o repente veio do século 19. Frequências de rádio caribenhas e latinas pegavam em alguns sertões. O nosso baião equivale ao raga e o nosso xote é o reggae. O nosso povo já ouvia rap antes dos americanos.”

RAPadura Xique-Chico

O que o repente pode trazer para um flow brasileiro no rap nacional – que a gente sente que, para ti, já traz?

É simples, né? O hip hop vem da década de 70, e o repente veio do século 19. Eu acho que a história, por si só, já fala, né? A gente tem uma ligação muito grande com a Jamaica. O nosso baião equivale ao raga, [tem] a mesma célula de ritmo. É o raga. E o nosso xote é o reggae. Isso é bem explicável. Na década de 50 e 60, algumas frequências de rádio caribenhas e latinas pegavam em alguns sertões. Rádio AM, mesmo. Meu avô ouvia, e tal.

O rap surgiu na Jamaica, e não nos Estados Unidos. É uma informação que muita gente não sabe. Então, isso quer dizer o quê? Que o nosso povo já ouvia rap. Antes dos americanos! E veio dos Estados Unidos para São Paulo, e aqui se espalhou. E temos o repente do século 19. Então, temos coisas muito mais antigas aqui. Antes do hip hop, antes do rap, [tinha] essa ligação com a Jamaica, com a África. Muita gente fala: “A nossa cultura vem da Europa”. Velho, vem muito da África. Muito da África, mesmo. O maracatu, o coco, tudo isso aí.

E quando foi que deu aquele estalo, de que você poderia colocar essas tradições rítmicas, esses jogos de palavras, esses desafios que vêm do repente, no rap?

Quando fui impedido de ouvir rap em casa. O meu pai, ele não deixava a gente ouvir rap. Era porrada, se ele pegasse a gente ouvindo rap. Por isso que te falei que eu tinha que ir para casa dos amigos, dessas pessoas que ouviam rap. Quando eu chegava em casa, sempre meu pai estava ouvindo disco. Luiz Gonzaga, Heleno Ramalho, Elba Ramalho, um monte de coisa. E eu: “Rapaz, tenho que fazer alguma coisa, porque não posso ouvir rap em casa, não posso ensaiar, não posso…” Eu, para tocar, muitas vezes tinha que ter o beat na minha mente e ficar ensaiando no meio-fio, só lembrando do beat, só na capela, entendeu? E a gente não podia fazer, não podia ouvir, não podia nada.

Aí, tive essa ideia de fazer a música “Amor Popular” com esse sample do Luiz Gonzaga, que é da música “Eu e meu fole”. E a batida da zabumba, eu vi que tinha muito a ver com a batida do rap. Puf-pucupá, puf-pucupá. E a batida do bumbo, que é puco-qui-pú, é a mesma batida do raga. Só que a caixa tá aqui [imita o som]. Já vira um raga, já vira um baião. Então eu falei: “Poxa, isso que tem muito a ver com a sanfona”. Perererê, perererê, tanam [canta o trecho sampleado].

Eu tinha pegado um computador emprestado e comecei a produzir umas batidas. Falei: “Rapaz, vou misturar esse negócio aqui, já que o meu pai gosta, eu gosto, e eu não posso ouvir rap em casa, vou fazer um rap misturado com sanfona, com a minha cultura”. Fiz a batida, botei o sample de sanfona, criei a letra, que fala da nossa cultura. Um dia, quando cheguei em casa, minha mãe tava ouvindo um CD demo com essa música, que eu tinha gravado. E o meu pai também gostou. Eles falaram: “É isso aí. Agora, sim, você tá fazendo uma coisa que a gente gosta, que é da onde nós vem”. Essa música, “Amor popular”, o mais interessante é que ela nunca foi mixada e masterizada. Ela vazou para a internet e aí espalhou. Aí eu deixei do jeito que foi, entendeu?

E é a que toca aqui, na Universitária.

Tá vendo? Virou clipe, virou tudo isso. Foi a música que me incentivou ainda mais a buscar minha cultura.

Videoclipe de “Amor Popular”, RAPadura

Você tem um EP de 2010, Fita Embolada do Engenho. Como foi fazer, colocar na internet? Dá uma dica de produção para o pessoal mais novo. Porque já faz quase dez anos. Como foi jogar isso para as pessoas ouvirem, em 2010?

Há muito tempo, eu queria fazer um trabalho que contemplasse toda a nossa cultura. Era algo com que me identificava e que acabei me aprofundando mesmo, de corpo e alma. Não só conhecer o básico, não só dizer que faço, mas saber do que eu estou falando. Aí, vi que não tinha ninguém que fazia isso. Não tinham produtores para produzir isso, também. Eu não tinha recurso, não tinha dinheiro. As pessoas próximas que eu conhecia também não produziam, porque não tinham uma referência. “Porra, isso aqui é o que eu quero fazer! Vou me basear por isso”. Não tinha.

Produzo desde 2005, os beats. Como já tinha mais de dez anos de pesquisa de música regional, comecei a produzir as batidas. Esse trabalho começou em Salvador, quando eu morava lá. A Fita Embolada nasceu em Salvador. Comecei a samplear, fazer as batidas e produzir no meu quarto. Produzi tudo sozinho, a Fita Embolada toda. Lá no meu disco também tem dizendo de onde tirei as faixas: qual artista, qual a música. É importante dar os devidos créditos aos mestres. Fiz essas letras que contemplam o nosso povo, nossa cultura e nossa luta.

Fita Embolada do Engenho (2010)

No início, foi bem difícil. Quando você traz algo novo, é muito complicado. Existem tendências e existem padrões e existem prateleiras. E eu não estava em uma prateleira. Não tinha prateleira. Então saí invadindo as outras prateleiras, tá ligado? Sou um invasor de prateleiras. No início, tinha muito preconceito. A galera: “Isso aí não é rap, não. Isso é forró. RAPadura não é nem nome de MC”. A galera ria, mesmo.

Quando eu chegava de chapéu de palha e sandália de couro, a galera achava engraçado e estranho. E aí você vê a inversão de valores. O que é de fora virou nosso, e o nosso virou algo estranho, algo engraçado. Mas depois de um tempo, como eu não desisti, como persisti neste trabalho e não deixei me levar pela opinião ou pelos preconceitos, as pessoas começaram a entender. Depois de uns dois anos, mais ou menos, em 2012, começaram a compreender o trabalho.

A galera de fora também contribuiu muito para que a galera de dentro do rap aceitasse. A galera que ouvia MPB, que ouvia outro tipo de música, tinha a cabeça mais aberta e entendeu muito mais o trabalho do que a própria galera do rap. Porque não era o rap puro que eu fazia. Fazia algo novo, algo diferente, que não tinha uma prateleira e nem tinha um nome, um rótulo. “O que é isso?” Porra, é forró. Não, mas não é só forró. Tem coco, mas não é só coco. Tem batida de rap, mas tem speed flow, mas tem poesia, tem isso… Tem canto! Tem formato de canção, tem o refrão cantado. Tem uma parte B cantada, que é um formato de canção de música de MPB, e tal.

Esse trabalho me levou para fora. Em 2013, fiz a minha primeira viagem para Europa. Fui para Portugal, representar o Brasil. Fiquei no melhor hotel de Lisboa, o hotel em que o Barack Obama e a seleção do Barcelona ficaram. Fiquei uma semana, lá. E levando a bandeira do Ceará. Porque, para onde eu vou, levo minha bandeirinha e estendo lá. Ganhei quatro prêmios internacionais, concorrendo com o Dr. Dre, [Fat] Joe & Beres [Hammond]. O Dr. Dre é o maior produtor de rap de todos os tempos. E a gente está lá. E essa é uma informação que muita gente não sabe.

Da esquerda para a direira: Karol Conká, Edi Rock, Rashid, Rincon Sapiencia, RAPadura, Negra Li e Projota, na publicidade que ganhou bronze no Clio Sports Awards

Qual foi o prêmio?

Foi um prêmio da Clio Sports, direcionado a propagandas. Fiz nas Olimpíadas, aqui no Brasil. Um projeto em que eu e vários outros MCs participaram. Mas a música que fiz foi em homenagem ao Alan Fonteles, um atleta paraolímpico nortista. Misturei carimbó, forró e rap. E os gringos, né, velho? Eles piram na nossa cultura, na música brasileira. Você vê que a música americana é bem engessada, o ritmo. O rock é pu-pá, pupu-pá. O rap, também. Aí, quando você chega no Brasil, tem o suingue, tem o nosso ritmo, que é único, uma coisa admirada e respeitada no mundo todo.

“KRS-One, Big Daddy Kane, Dilated Peoples, Apollo Brown [do Ugly Heroes], CeeLo [Green], Onyx [& Snowgoons]. Só  gente que eu só via de longe. Eu tava lá, no mesmo palco.”

RAPadura Xique-Chico

Você fez mais de uma viagem internacional, né?

2013. E, em 2014, eu fiz uma turnê: Suíça, Inglaterra, França, República Tcheca, Alemanha, Portugal de novo. Em 2014, cantei no Hip Hop Kemp, que é um dos maiores festivais de hip hop do mundo. Sou o único artista da América Latina que tocou nesse festival, até hoje. Nele, se concentram de 30 a 40 atrações mundiais, de pessoas que a gente admira, do rap lá de fora. E eu tive a felicidade. Eram cinco palcos. Cantei no segundo maior palco e fiz o melhor show dele, no meu ano.

Nesse ano, quem tocou lá?

Ixe! Tocou KRS-One,Big Daddy Kane, Dilated Peoples,o Apollo Brown [do Ugly Heroes],CeeLo [Green], Onyx [& Snowgoons]. Sabe, só  gente que eu só via de longe, assim, na internet. Eu tava lá, no mesmo camarim, no mesmo palco. Tive a felicidade de fazer o melhor show do meu palco. Botei alfaia, botei sanfona, botei tudo que tinha direito. Pandeiro! E a galera, tipo… poloneses, vietnamitas. Gente do mundo todo. Espanhóis! Graças a Deus, esse foi um momento muito feliz na minha carreira, que não esqueço. É um festival tipo Rock In Rio, só que de hip hop, entendeu? Em 2016, fiz mais uma turnê com O Rappa, pelo Brasil todo. Foi do último DVD, que participei. Tive que interromper essa turnê com O Rappa para poder fazer essa turnê na Europa, que era algo que eu também já tinha combinado, já tinha agendado. Fiz dez shows em vinte dias. Era um dia sim, outro não, que tinha show.

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Enquanto a transcrição da Pt.2 não sai, escuta aqui a entrevista na íntegra (a partir de 27:10):

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