Danniel Jogueiro

O pioneiro rapper Danniel Lima, conhecido também como Danniel Jogueiro — importante nome da geração dos anos 90 da cena hip hop cearense — foi vitimado pela Covid-19 no dia 17 de maio de 2020. Aqui, vamos ler a transcrição dos depoimentos enviados ao programa Zumbi, por colegas, amigos e familiares, e ouvir sons lançados por Danniel Jogueiro. Participaram JR Metal e PH (Sertão Rap), Flip Jay, WMan, Preto Zezé (CUFA), DJ William (Baile de Favela 4Town), DJ Piaba e Jonas de Lima (Coro Mc). Nossos agradecimentos a eles! Não deixe de também escutar o programa, ao final.

JR Metal

Meu nome é Antônio Jorge de Lima Júnior, vulgo JR METAL. Sou o idealizador do grupo Sertão Rap. Eu que criei, e que chamei o Danniel pra participar do grupo. Também chamei o meu irmão, Sérgio Luís. Desde 1 9 9 3, a gente estava nessa batalha aí, de informar e educar a juventude.

A importância do Danniel no hip hop é que, além de ser um bom letrista e um bom intérprete, ele também era um bom político. Ele tinha suas opiniões políticas e defendia com unhas e dentes. Infelizmente, perdemos um grande aliado da cultura hip hop. Por negligência. Negligência hospitalar, negligência do próprio empregador, porque ele fazia de um grupo de risco. Era pra ele estar em casa. Conheço o Danniel desde quando ele nasceu, pois sou irmão da mãe dele, portanto sou tio dele.

Danniel não morreu, não. Ele vai estar sempre vivo, na memória da gente. Sempre que o Sertão Rap subir ao palco, o nome dele vai ser dito e gritado bem alto, para que todos conheçam e lembrem que o Danniel existiu e ele foi muito importante, muito importante. Não tanto pra cultura hip hop, como pra família Lima, que é a nossa família. Infelizmente, perdemos, mas… Tristeza vai ficar na memória. Coração continua apertado. Mas ele não vai ser esquecido. Muito obrigado aí pela oportunidade da Rádio Universitária. Sertão Rap agradece muito por falar sobre essa pessoa muito importante que é Danniel. Danniel Lima! Danniel Jogueiro, Critic Boy, Little Boy. Ele foi tudo isso e um pouco mais.

Minhas melhores lembranças sobre o Danniel é das vezes que a gente subiu no palco pra fazer um bom som, que é o do rap, e… Sorrisão dele, que era… era o bonito o sorriso dele. E a seriedade dele, que sempre contagiou todos que conheceu ele, sabe? Danniel era um cara extraordinário.

PH, Sertão Rap

Salve, salve, rapaziada! Eu me chamo Pedro, mais conhecido como PH. Sou MC no grupo Sertão Rap e hoje vamos falar de um mano da família que infelizmente não tá mais entre nós: o Danniel Jogueiro, que era meu primo e também fazia parte da família Sertão Rap.

Foi um dos fundadores dessa banca que hoje eu faço parte e eu convivi com ele desde pequeno. Cresci vendo ele e meus tios em cima do palco. Meu tio JR, meu tio Tiger Black, o Danniel, sempre foram minhas maiores influências e sempre vão ser.

Era um ótimo letrista, um ótimo MC, uma ótima pessoa. As lembranças que a gente vai ter dele vão ser sempre as melhores. Sempre de felicidade, sempre pra cima, sempre alto astral e vai ficar sempre na mente.

Eu queria deixar uma indicação de uma música dele chamada “Tá no jogo pra quê?”, que ele passa a mensagem pra gente ir atrás do que é nosso, do melhor pra nós, sem mimimi, trincar os dentes e ir pra guerra. Ele sempre passou essa visão e ela nunca será esquecida.

Onde a gente estiver, ele será lembrado e citado pela família Sertão Rap. E nunca será esquecido que ele foi por causa da Covid-19, de negligência médica da UPA da Pajuçara. Nada nos conforma e seguiremos no protesto, mantendo o rap vivo, o rap que ele tanto amava e se dedicava.

E é isso aí. Essa é a mensagem que eu venho passar hoje. Um salve aí, do PH Sertão Rap. Se cuida e fica em casa. Danniel Jogueiro vive! É nós!

Flip Jay

Aqui DJ Flip Jay. DJ, grafiteiro, dançarino de hip hop durante muitos anos. Hoje, atuo basicamente como DJ, produtor de eventos dentro da cultura hip hop.

Falar um pouquinho do Danniel me remete há uns 25 anos atrás, mais ou menos. Conheci o Danniel em Maracanaú, em algum evento de hip hop que eu não lembro necessariamente agora. Acho que foi um evento no bairro dele, lá no Acaracuzinho, no Maracanaú, aquela região ali. Acaracuzinho, Santo Sátiro, região de Maracanaú. Foi um evento, acho que numa praça, e eu conheci o Danniel.

Danniel, na época, tinha uns doze anos de idade. Treze anos, no máximo. Era um garoto de cabeça raspada, já tentando se vestir no estilo do rap. E que cantava rap! Apesar da pouca idade, ele cantava rap. Tinha um grupo de rap com os tios dele: o Sérgio, que é o Tiger Black, e o JR Metal. São meus grandes amigos também e eu conheço eles dessa época, mais ou menos.

O Danniel me chamou muita atenção porque, pela pouca idade, ele já estava rimando e cantando. Ele chegou pra mim e disse: “Cara, eu sou teu fã. Eu sei que tu cantava rap, e hoje tu só dança e é DJ. Eu ouvia quando você cantava na rádio”. Isso no início dos anos 90, quando tinha um programa de hip hop local chamado “Embalos da Volta”. Eu, entre outros, fomos os pioneiros do rap, os primeiros a ensaiar as primeiras letras de rap, cantar, gravar e essas músicas eram veiculadas nesse programa. Danniel era um dos fãs desse programa. Essas são as lembranças mais antigas e bem agradáveis que tenho do Danniel. Ele muito novo, cantando rap.

O tempo foi passando, ele cresceu, se tornou um adulto. Os tios dele continuaram cantando junto com ele. Uns dez anos depois, eu vinha junto com o Nego Gallo e Don L formar o Costa a Costa. E a gente teve uma grande identificação e amizade. Tanto que eu lembro muito bem do Ceará Music de 2004. O Costa a Costa foi chamado, junto com alguns rappers, e pediram pra gente indicar alguns grupos pra tocar no Ceará Music daquele ano. E o Sertão Rap MCs foi um dos grupos que a gente indicou e que dividiu o palco com a gente, as noites com a gente, lá no Ceará Music. Tenho essa lembrança muito grande.

O Danniel foi muito importante, porque ele inspirou outras pessoas, né? Por ele estar há tanto tempo no rap, obviamente, ele inspirou outras pessoas. Organizou eventos na região dele, lá de Maracanaú. Era um cara disponível, um cara muito talentoso. E eu gosto de todas as músicas do Sertão Rap MCs. Gosto muito do som dos caras. Acho que eles são muito autênticos. Estão há muito tempo na cena, têm muita experiência. E é isso.

Danniel, espero que esteja em paz, que tenha feito essa passagem com muita tranquilidade. A doença é séria, levou o Danniel em poucos dias. Ele ficou doente e com poucos dias ele veio a falecer. Fica a saudade, fica a lembrança eterna do meu velho e bom amigo. Descansa em paz, Critic Boy, Danniel Jogueiro, meu amigo.

WMan

Salve aí a todos. Aqui é WMan. Sou rapper, produtor musical, beatmaker, educador social aqui de Fortaleza.

Conheci o Danniel ainda na época que ele tinha o nome de Critic Boy, no lendário grupo de rap do Acaracuzinho, Santo Sátiro, aquela área ali, de Maracanaú, que é o Sertão Rap MCs. Sertão Rap, composto pelos tios dele, que é o Tiger Black e o Júnior, que é o JR Metal. O Danniel, eu conheci junto com o Sertão Rap, em meados de 94, 95, se não me falha a memória, na década de 90. A gente, o MCR, que é o Movimento de Cultura de Rua, na época, ia fazer uma coletânea. Essa coletânea tinha participação do grupo, do Sertão Rap. Danniel Jogueiro e os outros, né?

Na época que a gente se conheceu foi uma época que o rap, os movimentos, o movimento hip hop, as gangues de hip hop, as posses, como a gente chamava na época, estavam em ascensão. Tinha muita coisa acontecendo, muita atividade do grafite, do DJ, do rap, né? Eu lembro dele muito eufórico. Pivete de doze anos… cantando muito. Todo mundo queria falar com ele, queria trocar ideia. Ele era um prodígio.

O que eu vejo do Danniel, nesse percurso que ele teve, do começo dele até agora, é que ele foi um cara muito prestativo pra rapaziada. Um cara de um sorriso fácil. Os problemas dele é como todo mundo tem, como eu tenho o meu, como o fulano tem o seu… Mas era um cara carismático, gostava de ajudar a rapaziada com seus vídeos, participando como referência, como um nome de peso, como era o dele. Um vídeo que tinha um cara como ele, pô, era acesso fácil e rápido.

Além disso, não só pela questão do Danniel ter um nome, né? Era também pelo fato de ele ser um cara que todo mundo gostava. Um dos poucos. Nessa onda, hoje em dia, de rivalidade dentro do rap, poucos são como o Danniel Jogueiro, que podia, como eu digo sempre, transitar em todas as áreas do rap de Fortaleza, do Ceará. Ele tinha essa facilidade. Dentro da música ou dentro da questão política, porque era um cara muito ligado às questões da social da sua área, que era o Maracanaú, Santo Sátiro, Acaracuzinho, aquela área. Muito ligado a isso.

A importância do Danniel, hoje, tem que ser muito, muito resguardada. Porque foi um cara que prestou um serviço muito grande ao hip hop, com seu jeito de ser, com seu carisma, com tudo. A importância dele pra essa juventude que vem agora, tecnicamente falando, até mesmo no rap… Porque ele era um cara que tinha uma métrica muito boa, uma levada. Eu, como produtor musical, posso dizer isso, de certa forma. Tinha muita facilidade em fazer música, de escrever. Que as novas gerações, aí, escutem Danniel Jogueiro. Era um cara que tinha muito talento pra mostrar ainda.

Eu digo pra rapaziada que é uma grande perda pro hip hop do Ceará. Ficou um vazio, um buraco. E dificilmente vai ser preenchido. Que a gente possa estar sempre lembrando das pessoas boas que passaram na vida da gente. Cuidar um dos outros, cuidar da sua família, dos amigos. No momento difícil que a gente tá passando, a gente tem que cuidar um dos outros. Não mais com um abraço, por enquanto, mas com palavras. Se cuidar, irmão! Porque a vida é só um sopro, entendeu? Que esse sopro não possa ser em vão.

Espero que, onde ele estiver, ele esteja bem, olhando por nós, por todos que ele gostava, todo mundo que ele amava: família, esposa, os amigos e tal. Fica em paz, irmão! Tamo junto, hein?! Até breve. E, por último, eu queria dedicar uma música do Danniel, que vou passar aí. “Bem Mais”! Essa música ele gravou com uma produção do Coro no meu home studio — ano passado, se não me falha a memória. Quero dedicar essa música aí pra rapaziada que gosta do Danniel. Jogueiro! Em paz, irmão! É nós, Danniel Jogueiro!

Preto Zezé

Aqui é Preto Zezé, sou presidente global da CUFA – Central Única das Favelas. Sou rapper, empresário, empreendedor, repórter, escritor e outras coisas mais.

Conheço o Danniel desde a década de 90, quando a gente gravou a primeira coletânea de rap no estado, que foi ainda em fita K7. Ele já era do grupo Sertão Rap. Sertão Rap é um dos grupos pioneiros do hip hop cearense, se mantém em pé até hoje. E eu conheci o Danniel ainda pequenininho. Ele sempre foi esse cara questionador. Cara firme, um cara comprometido e, acima de tudo, uma pessoa sensata, bem humorada. E além desse monte de coisa em comum, ainda era torcedor do Fortaleza, tricolor de aço, amado e querido.

É até difícil enumerar quais são as melhores lembranças, mas… São tantas! Lembro que a gente fazia baile no [Espaço Cultural] Cidadão do Mundo [que funcionou na Avenida da Universidade, 2322, Benfica]. A minha melhor lembrança foi a primeira vez que eu ouvi ele cantar. Ele pequenininho, andando entre a gente. E a gente olhava aquele pequenininho e pensava: “Não pode ser, gente. Essa criança no hip hop”. E aí ele veio, cantando. Ele mesmo escrevia as letras. Era muito louco. Tinha o primo dele, os tios dele, que também estavam juntos. Cara, era uma coisa muito empolgante, na época. Ele sempre foi um pivete muito politizado, cantava muito bem, rimava muito e tinha muito conteúdo, e gostava muito do rap. Era amante do rap, sempre foi.

E a importância é que tudo que você imaginar do que aconteceu no hip hop do Ceará, ele tava envolvido. E, principalmente, num lugar que, durante muitos anos, foi pólo do hip hop, que foi Maracanaú. E que só não teve visibilidade, porque não era Fortaleza. Então tinha muita coisa acontecendo no Maracanaú, roda de break no Mercado Municipal, os bailes que a gente fazia, as rodas de break aberta, os projetos da TV comunitária. Era ele, Fofo, Eduardo, Maré… o próprio JR Metal, que foi um dos primeiros caras a começar a produzir beat, mexer nas tecnologias inovadoras, tipo… O bicho era o MacGyver! Tem o Sérgio, também. Era família, era um rap familiar.

O Danniel sempre foi uma pessoa que se destacou porque, tanto coletiva como individualmente, ele tava envolvido em alguma coisa… Acho que isso era o diferencial dele: se envolver em ações que colocassem na prática o que se dizia nas letras de rap. O que a gente vê muito hoje [é que] cantando, é bom… mas a causa, ela precisa de ação. O Danniel era muito isso: além de já agir bem produzindo, cantando, rimando, escrevendo, ele era um cara ativista nato, tava com ele desde de o início isso.

Quando comecei também, em 98, com o Movimento Cultura de Rua [MCR], e que eles vieram junto também, eles mostraram outra perspectiva do sentimento da cultura e eu aprendi muito com o hip hop feito em Maracanaú, pelas pessoas de Maracanaú. E fiquei muito feliz por fazer parte da construção dessa história, junto com Alexandre, junto com Hell, junto com várias outras pessoas. Muita galera boa do break que tinha lá. É impressionante. Paulista, Dinho… Tem tanta gente lá, que dança… Régis! Muitos caras feras demais. Me ensinaram muito.

Vou deixar a despedida aí. Na verdade, não é nem despedida. É só dizer pro Danniel que um dia nos encontraremos e vamos fazer rap junto para toda a eternidade e que, daqui debaixo, nós vamos honrar e manter viva a esperança, a chama da luta por um mundo melhor como ele sempre perseguiu, pra que a gente mantenha a memória, o legado vivo. A carne se vai, mas a poesia fica aqui, imortal. E o Danniel vai agora pra imortalidade com a sua poesia.

DJ William, Baile de Favela 4Town

Salve, pessoal. Uma satisfação estar na Rádio Universitária mais uma vez, mesmo que seja de forma virtual, porque, afinal de contas, estamos todos em quarentena. E meu nome é William, DJ do coletivo Baile de Favela, toco desde 2006.

Venho falar do Danniel, que conheci entre o final da década de 90 e início dos anos 2000, e que sempre foi um grande amigo. Sou amigo da família dele, também. Só trago boas recordações.

Uma das coisas que eu mais me lembro foi nossa viagem pra São Luís. A gente foi tocar junto com o MV Bill. Uma pessoa amável, carismática. Todo mundo gostava demais do Danniel. Pessoa inteligente, tinha ótimas letras. Importantíssimo pra nossa cena. E é isso… Não tem nem muito o que falar, porque se torna até meio pesado falar disso.

Uma das músicas que eu mais gosto dele foi com participação do Pedro Vilão e do Xavier, “Monstros”. Um salve aí a todos os ouvintes. Abraço do DJ William. Fique em casa.

DJ Piaba

Salve, salve. DJ Piaba no ato. Sertão Rap, família Sertão Rap sempre!

Conheci esse parceiro, Danniel Jogueiro, em um momento de construção de sonhos. Quando eu falo do ponto de conhecer, é do ato de se trocar uma ideia, de manter um contato. Já sacava Danniel já, de um tempão. Passou várias passadas nesse mundão pra depois a gente se trombar e fazer uma situação junto.

Eu tenho uma lembrança muito forte dele que… foi uma música, na verdade! É uma música chamada “Sentido”, que por sinal eu regravei só a parte do JR. Me impressionou, né, mano… ali, a forma de como ele sempre metricou as letras. E uma parada também que marcou muito foi o momento dos sonhos, né, mano? Que a gente sonhou várias parada junto. Teve vários planos, tá ligado? Passamos vários perrengues também pra poder fazer o rap acontecer, em uma determinada época.

Ele é um cara que tem uma importância enorme, grande, na construção do hip hop no estado, dentre a influência pras regiões próximas, né, mano? De outros estados também. Aquela época que a gente viveu era uma parada que a gente tinha uma união mais forte do que hoje.

E tem um som dele que pra mim é um dos mais loucos que ele fez, que é o “Revanche da Favela”. Um som muito pesado, bem atual ainda. E é maior satisfação poder estar falando algumas palavras em homenagem a esse maluco, Danniel Jogueiro, o gordim maloqueiro, que passou por várias paradas nessa vida. Presenciei muita coisa também.

E irmão, tamo junto! Tô ligado que você vai estar escutando essas palavras. Você tá vendo o aperto no coração de muita gente com essa notícia. Mas a notícia maior que vai prevalecer é que você vai permanecer eternamente, irmão. Sua voz, né, mano? Sua voz é eterna. E satisfação em ter feito várias paradas com você. De coração, DJ Piaba, Sertão Rap vai eternizar. Gordim maloqueiro. Danniel Jogueiro doido. Salve!

Jonas de Lima (Coro Mc)

Falar de Danniel… Falar de Danniel Jogueiro é falar da história do rap cearense, né, cara? Danniel, pra quem não sabe, fique sabendo: um dos pioneiros do rap do Ceará e, por que não, um dos pioneiros do rap do Brasil. Por que não? Danniel Jogueiro representa muita coisa na história do hip hop, do rap do Ceará e Nordeste, e do nosso país também, apesar de o reconhecimento dessa cena fajuta, hipócrita, não ter chegado pro cara que merecia, sim – merecia, sim – todo o reconhecimento de qualquer MC ou rapper desses aí, no cenário.

Falar de Danniel Jogueiro é falar de um cara que buscou progresso pra cena desde sempre. Quando a cena ainda tava naquelas músicas quadradonas lá, muito inspirado nos anos 90, naqueles flow bem básico mesmo, Danniel Jogueiro já era inovação no flow, pode-se dizer assim. Já era um moleque que desde cedo já fazia uns speed flow desses aí, de botar qualquer neguim do trap no bolso, desse trap novo aí. Danniel Jogueiro já fazia isso aí nos anos 90, tá ligado? Danniel Jogueiro era um cara monstro na rima, no flow. Talvez o tempo tenha passado um pouco e tenha separado ele um pouco dos assuntos que o hip hop foi trazendo, na atualização que ele teve. Mas, independente disso, ele era um mega rimador mesmo, um cara muito foda.

Tive o prazer de conviver muito tempo com ele dentro da cena. A gente fez muito evento junto. Posso dizer que foi muito gratificante todos os eventos que eu fiz com ele. Já colou no meu bairro, eu já colei no bairro dele. A gente já colou no Maraca. Ele já colou aqui. Já colou em vários eventos em Fortaleza com a gente.

E era muito massa sempre ver o Sertão Rap, porque era um grupo que eu conheci desde que eu comecei a fazer rap. E ele e o Júnior são dois caras que eu admiro pra caralho, que eu tenho máximo respeito pela história, pelo legado que eles deixaram pra caras que nem eu que veio chegando depois, também.

Uma perda… uma perda muito grande pro nosso hip hop. Uma perda enorme pro rap… daqui. Muito triste a forma como o irmão partiu. O que vai ficar na minha cabeça é as lembrança boa, tá ligado? A energia que ele tinha nos palcos era ímpar. O moleque era diferenciado demais nos palcos. Um cara que merecia ter tido um reconhecimento maior, não só da cena daqui do nosso estado, mas da cena do país. É isso.

Danniel Jogueiro é um cara pra sempre. É um eterno do rap do Ceará. Salve Salve Danniel Jogueiro! Salve Salve o Sertão Rap e os pioneiro, mano. Sertão Rap, Elemento Suspeito e Paulo Jogueiro. Máximo respeito.

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Escute o programa na íntegra:

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